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Terra Estrangeira

“Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas

"Terra Estrangeira" é um marco da retomada do Cinema Nacional. Permeia pincleadas de um cinema de expurgação, que o justificam com um certo sentido político de desesperança auto-depreciativa e niilista. Este flerta com gêneros sem eleger nenhum em especial, procurando um resultado simbiótico original entre o cinema político, o policial noir e o road movie. O resultado é um cinema de exílio. De inadaptação. O confisco da poupança é o ponto de partida que precipita o personagem Paco em sua jornada de auto-conhecimento. Paco parte rumo à Europa levando consigo uma "encomenda" que, veremos, é o próprio McGuffin Hitchcockiano. Lá encontra Alex, com quem se envolverá amorosamente, compartilhando sentimentos de perda, espanto e inércia. Filmado em super 16mm pelo lendário Walter Carvalho, a proposta de um corajoso p&b dá corpo e alma a essa experiência. Metáforas 'acidentais' enriquecem o filme em momentos capitais, especialmente o outdoor de lingerie com a palavra "Hope", ou o magnífico take do navio encalhado, imagem emblemática do filme. O momento histórico de ruptura traumática, desenvolve-se como um thriller e resolve-se como uma obra existencial. A cena que conclui a trágica viagem, resgata o McGuffin condutor alçando-o à condição de símbolo do finito e do assombro diante da existência fortuita.




On July 17 2014 at Rio de Janeiro, Brazil 502 Views






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