26th Jan 2006

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    1. Eu, Regina e Hermano.

      Hermano fez o primeiro livro sobre funk no Brasil. titulo MUNDO FUNK CARIOCA. em 1988, depois todos começaram a comentar e fazer matéria sobre os bailes, foi ele tb q me deu a primeira bateria eletronica e deu inicio a esse massacre, pois quando fez isso o seu professos, Gilberto velho, disse q ele estava interferindo no movimento, como se tivesse dando um rifle a um chefe indigena.

      ele escreveu um texto pra um revista do ministério da cultura, segue abaixo o texto na integra.

      COMENTEM SOBRE O TEXTO.

      Em 2002, participei de um ciclo de debates promovido pela Unesco. Meu
      painel era intitulado "A Favela e o Asfalto: Cultura, Poder e Movimento
      Social". Na minha fala fiz um breve resumo da história do funk carioca. Não
      havia para mim nada mais empolgante na nova cultura das favelas do Rio de
      Janeiro, interferindo decisivamente na sua relação com o tal "asfalto".

      O funk não tinha ainda conquistado a popularidade que hoje ganhou nos
      clubes paulistanos ou entre músicos "antenados" do exterior. Mesmo assim
      foi surpresa ouvir, depois das minhas palavras, a reação da platéia,
      formada por gente que participa ativamente de movimentos sociais contra a
      injustiça social no Brasil. Um diretor de rádio comunitária foi categórico:
      essa música é proibida na minha programação. Uma professora de escola
      pública disse que educa seus alunos para não escutar funk. E assim por
      diante. O que acontecia ali era, na minha opinião, muito claro: o funk
      estava sendo excluído pelos grupos que pretendiam combater a exclusão. O
      funk era o excluído do excluído.

      Eu não deveria ter ficado tão surpreso com esse tipo de reação. Ela fazia
      total sentido dentro de uma linha antiga de combate contra o funk, combate
      protagonizado por grupos de todos os matizes ideológicos, da extrema
      direita à extrema esquerda, mesmo aquela que se diz popular, ou pró-cultura
      popular (que como sabemos não é exatamente aquela que o povo gosta, mas sim
      a que o povo deveria gostar, vide os manuais do CPC). O ataque contínuo
      isolou o funk cada vez mais para dentro das favelas, para o apoio - quem
      mais poderia dar apoio, já que todas as outras "forças" eram contra? - dos
      movimentos armados dos traficantes.

      Foi literalmente isto: o poder público, a mídia e os entendidos em cultura
      popular fizeram todo o possível para entregar o ouro (o ouro cultural
      produzido nas favelas) para o bandido. Quando eu fiz minha pesquisa de
      campo nos bailes funk, que resultou na minha dissertação de mestrado e no
      livro O Mundo Funk Carioca (Jorge Zahar Editor, 1988), as festas eram
      realizadas em clubes como o CCIP de Pilares, o Cassino Bangu ou o Canto do
      Rio. A música, quando começou a ser produzida na cidade, era totalmente
      independente dos "comandos". Poderia ter continuado assim, se o poder
      público (com polícia também armada, algumas vezes dando tiros nos
      equipamentos) não tivesse fechado os bailes dos clubes, se os críticos
      musicais e gravadoras não tivessem amaldiçoado o estilo (fortalecendo a
      pirataria), se o asfalto, por puro preconceito contra "som de pretos e
      pobres", não tivesse tentado destruir a cultura que os favelados estavam
      criando por eles mesmos.

      O funk muitas vezes pediu socorro. Ninguém ouviu os discursos do DJ
      Marlboro, mesmo em reuniões dentro da Secretaria de Segurança Pública (eu
      estava com ele, na maioria dessas ocasiões), pedindo apenas que o funk
      fosse considerado cultura e não problema policial. Se o poder público
      tivesse escutado suas palavras, o funk carioca poderia ser hoje a música da
      paz na cidade. Teria força para isso: afinal, os bailes que tocavam 100% de
      música importada em 1988 agora não tocam 100% de música nacional? Como
      ninguém percebeu a força que essa música tinha, e tem cada vez mais?

      Agora todo mundo se espanta com a existência dos proibidões? Quanta
      hipocrisia! É a colheita do que foi plantado. Responsáveis: policiais,
      políticos, jornalistas (quanta matéria mentirosa sobre os bailes!),
      campanhas desgovernadas contra o que a elite diz que é "baixaria".

      Mas ainda bem que o funk é mais forte que isso tudo. O proibidão é a banda
      podre de uma cultura vigorosa e que poderia ser totalmente do bem e da festa.

      E o que hoje não tem sua banda pobre? A banda podre deve ser combatida. Mas
      dizer que todo o funk está podre - tentando exterminá-lo - é uma
      imbecilidade sem tamanho. É criar cada vez mais proibidões, ou o território
      propício para a criação de muito mais proibidões. Se todo mundo apoiar o
      lado bacana do funk - com medidas simples como dar segurança para os bailes
      (a polícia em vez de fechá-los bem que poderia protegê-los) - essa música
      ainda poderá ajudar a tirar o Rio desses tempos negros que estamos vivendo,
      tornando-se uma das maiores fontes de orgulho carioca, a cara da alegria de
      toda a cidade.
    2. Oi.. me add aii..amo vcx;0~~
    3. mandou bem!!!gostei do texto!!a arma da exclusão é o preconceito!!
    4. showwwwwwww!!!
    5. pow tava demorando pra atuliza hem..hhehehe ai qd volta pra floripa?ta vinmdo o carnaval ai.. =Xs!

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