19th Jul 2008

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    1. “Duas imagens da história do futebol. O primeiro desenho reproduz um fragmento de um mural pintado há mais de mil anos em Tepantitla, Teotihucán, México; O segundo é uma estilização de um relevo medieval da catedral britânica de Gloucester.” (Eduardo Galeano – Futebol ao sol e à sombra)

      Parafraseando o bordão dos antigos navegadores - utilizado em um poema por Fernando Pessoa, e musicado por Caetano Veloso - começo o post de hoje; Tenho muitos outros assuntos pendentes para tratar aqui no fotolog, no entanto, minha agenda verde, hoje ao acordar, me informou se tratar da data das comemorações do Dia do Futebol, e do Dia Internacional da Caridade.

      Temas tão corriqueiros, e tão singelos, me deixaram até bem humorado a respeito. Vamos lá, então. Começo hoje apenas com o futebol, e amanhã com a caridade, por uma questão de espaço e de tempo.


      O futebol.

      Costumo falar muito pouco desse tema, pois é assunto visto sempre com certo preconceito – em especial entre as pessoas pretensamente mais “intelectualizadas” – ainda que o futebol faça parte da vida de todos a todo o momento, em especial a dos brasileiros; Seja numa discussão de ponto de ônibus, numa ida a um jogo – para quem gosta; Ou, para quem não gosta, ou não assume gostar, num anúncio de cerveja, num outdoor na rua, ou na programação de um fim de semana – Que horas marcamos? – Ah! Hoje tem jogo, vai ser complicado, engarrafamento... Vamos marcar antes do jogo para evitar tumulto. No entanto, gostando ou não, o assunto é visto em geral como algo menor, irrelevante, pífio, talvez.

      Todavia, futebol, é bem mais do que isso, e é nessa parte que ele se torna algo muito mais interessante...


      Desentendendo o futebol:

      Ir num estádio é uma experiência repleta de desvãos lúdicos, seja ele vazio, ou em dia de jogo, meio cheio, ou completamente lotado; Você pode não gastar um tostão no ingresso e ficar vendo tudo do lado de fora; O desfile de cores nas camisas, os vendedores de camisas, de bebidas, de cigarro, espetinho, picolé, queijo assado; e o preço dessas mercadorias que oscilam, inflacionam quanto mais perto da bilheteria você esteja; A junção dos ruídos formando uma massa sonora imprecisa, mas quase que uniforme, e acompanhada dos odores diversos e inimagináveis; e olhar de fora a construção do estádio, seja como for, com os fragores das torcidas, ele parece criar vida, criatura prestes a sair galopando.

      Do lado de dentro, se quiser, você pode esquecer o campo de jogo, e apenas ficar rondando pelas arquibancadas, ou em volta delas, caminhando, observando quem trabalha; Os guardas, os garçons dos bares, os fotógrafos, a imprevisível reação dos rostos de quem vê o jogo – retesa as sobrancelhas, suspira, inspira, grita, alisa as palmas das mãos, ou nada disso, aparentemente inerte; as conversas que travam, as memórias que trazem à tona, ou de repente puxam assunto com você; E de longe, sem olhar o campo, você pode supor o andamento da contenda ludopédica apenas pela reação das torcidas rivalizando; Observar os coros de um lado, os cânticos, os gritos replicados do outro lado, a desafinação perfeitamente harmonizada.

      E no término de tudo, outro processo a se desenrolar... O futebol pode ser isso. Ou muito mais se você quiser desentender tudo que já te fizeram entender.

      E antes disso tudo, era bem diferente...

      “Pelos pés dos legionários romanos a novidade chegou às ilhas britânicas. Séculos depois, em 1314, o rei Eduardo II estampou seu selo numa cédula real que condenava este jogo plebeu e alvoroçador, “estas escaramuças ao redor de bolas de grande tamanho, de que resultam muitos males que Deus não permita”. O futebol, que já se chamava assim, deixava uma fileira de vítimas. Jogava-se em grupos, e não havia limite de jogadores, nem de tempo, nem de nada. Um povoado inteiro chutava a bola contra outro povoado, empurrando-a com pontapés e murros até a meta, que então era uma longínqua roda de moinho. As partidas se estendiam ao longo de varias léguas, durante vários dias, à custa de várias vidas. Os reis proibiam estes lances sangrentos: em 1349, Eduardo III incluiu o futebol entre os jogos “estúpidos e de nenhuma utilidade”, e há éditos contra o futebol assinados por Henrique IV em 1410 e Henrique VI em 1547.”

      Dizia Eduardo Galeano em seu livro Futebol ao Sol e à Sombra.

      Dito isto, talvez explique um pouco das controvérsias existentes no tema até hoje, e a expressão, “um bando de marmanjos correndo atrás de uma bola”. E lá no século XIII então, bota bando nisso...

      Amanhã, continua. A caridade.

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