30th Jul 2008

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    1. * Madre Teresa de Calcutá. Não sei se ela conversaria comigo sobre futebol...



      Com mais de uma semana de atraso do último post sobre o Dia Internacional da Caridade e o do Dia do Futebol, 19 de Julho, passemos finalmente para a caridade, este nobre e desejado sentimento, neste momento mais que propício onde a Rede Globo massificará sua propaganda do Criança Esperança.


      A Caridade:

      Quando penso em caridade me lembro imediatamente de algumas de suas cenas aparentemente mais representativas: Uma notícia no jornal sobre uma celebridade doando grande quantia para causas sociais; Dar ou não dar esmola para o menino no semáforo; Fazer um sopão para mendigos no natal, e distribuir presentes em comunidades carentes; E agora todo o fragor do Criança Esperança e seus discursos politicamente corretos.

      No entanto, na maior parte das vezes, esses atos, por mais eficazes que possam ser, me soam bastante falsos, com mais de auto-afirmação, do que de voluntariedade.

      Desentendendo a Caridade:

      No entanto, para ser voluntarioso, você pode também nem sequer saber onde fica o Haiti, ou não ter dado esmola ao último pedinte, pois estava com preguiça de tirar a carteira do bolso; Se você está lendo este texto pretensioso, mambembe, e mal construído, considere-se uma pessoa caridosa, pois está manifestando o seu amor ao próximo, o seu interesse em gente, ainda que seja perdendo alguns minutos da sua vida com estas linhas que não fazem a menor diferença nos escritos sobre caridade.

      Outro ato de compaixão, ainda que pareça paradoxal, pode ser negar a tal da esmola. Ao invés de ser indiferente, você pode interagir com a cena, dizendo, “tenho, mas não quero dar”, e depois perguntar o nome do pedinte, puxar alguma prosa trivial. De repente pode ser mais importante para ele; E ainda seguindo na linha da carência por ser escutado, ora você pode estar num ambiente que lhe seja completamente desinteressante, com pessoas que você julga chatas, e ao invés de se fazer de entediado e usar de desdém, pode, como não, participar da conversa, escutando, e às vezes concordando com o mala do seu interlocutor, ainda que você discorde completamente.

      Mais uma: Mande alguém à merda! Um amigo me conta, “quando minha mãe está resmungando muito “eu sou uma merda, minha vida é isso, aquilo...” eu digo – é, você é uma merda mesmo! – e aí ela retruca, “Não! Eu não sou uma merda não, como é que você diz isso? Eu sou uma pessoa muito boa, fiz isso, fiz aquilo... ””. Pode ser caso de maior benevolência mandar alguém à merda para que ela se sinta melhor.

      Se nenhuma das minhas sugestões ajudou, então podemos recorrer ao dicionário:

      Do Aurélio: Caridade. 1. No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus, ágape, amor caridade. 2. Benevolência, complacência, compaixão. 3. Beneficiência, benefício, esmola. 4. Uma das virtudes teologais. 5. Bolo de farinha de trigo, manteiga, açúcar e ovos.

      Para mim o item 5. foi completamente novo. Destarte, você pode no próximo dia 19 de Julho, em celebração ao Dia Internacional da Caridade, fazer você mesmo um bolo de farinha de trigo, manteiga, açúcar e ovos; Depois, chame os amigos, e os inimigos, para celebrar este inaudito dia com você, e estabeleça um prêmio ao mais benevolente da festa, revertendo a premiação para alguma ONG em prol de uma boa causa social.

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