6th May 2010

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    1. Blog do Jerri:

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      Blog da Petit: A Vida Espanca Docemente

      http://avidaespancadocemente.blogspot.com/


      À deriva: no mar (Fernanda Petit)


      Eu gostaria de poder estar no mar
      mesmo não sabendo nadar
      e boiar...
      Deixar que as ondas do mar acalmem meus ouvidos
      ou entupam eles com a água do mar.
      Até que a água do mar chegue dentro do cérebro
      e limpe com o sal
      tudo que machuca e preocupa

      possivelmente água do mar
      você
      arderá as pequenas feridas
      que se alojam no meu coração

      Mar
      eu não sei
      se é bem no coração,
      mas desde pequena me ensinaram que era ali que se instalava o amor e as paixões

      Eu queria estar no mar
      mesmo detestando o mar,
      mas sei que ele me acalmaria
      eu ouviria de longe as crianças brincando na areia e catando tatuíras e gritando de medo delas.
      Ouviria o corneteiro vendendo picóles
      Meu corpo boiaria e teria um homem
      tocando piano pra mim na praia.
      E a música do piano chegaria aos meus ouvidos
      misturada pelo barulho da água do mar

      Eu não sei nadar
      e talvez sempre afunde
      e talvez por isso me sinto afundada agora.
      Eu pus uma bóia nos últimos tempos nas costas
      para poder flutuar meu corpo na água do mar
      Só que a bóia furou
      bateu nas rochas do mar
      enquanto eu estava ali: curtindo o sol leve
      que batia na água e em mim
      Eu distraída de olhos fechados
      escutando o moço que de longe tocava o piano
      não vi a bóia estourar
      No momento que a bóia estourou
      eu fui para o fundo
      com um susto súbito.
      Só voltei ao começo do mar
      voltei a ver a luz do sol novamente,
      pois uma sereia me pegou pelas costas
      e me fez retornar

      Agora estou eu: À deriva
      boiando neste mar
      o pianista tocando
      e uma espécie de água saindo dos meus olhos
      É salgada como água do mar
      só que água do mar é beleza demais
      e o que sai dos meus olhos é doloroso demais.
      E a praia de repente ficou vazia
      e as crianças levaram seus baldes com as tatuíras
      para as verem morrerem mais tarde
      Os vendedores de picóles foram para suas casas
      contar quantos picolés de limão ainda existem
      e dão de presentes para seus dois filhos, picolés de uva, os seus preferidos
      Pois picolé de uva
      suja a roupa ao lamber
      e mancha
      e ao manchar
      a mãe vai lavar os pequenos trapos de roupas
      e eles se sentirão amados
      por que sua mãe se importa em limpar suas pequenas manchas de infância


      Será que alguém pode me tirar da água do mar?
      Será que alguém pode entender que não é carência?
      Que não tem filosofia que explique
      Será que alguém pode entender que eu não escolhi instalar um sentimento dentro de mim

      já passou tempo demais
      e meus braços se acostumaram a ficar abertos ao lado
      parecem estáticos
      Meu corpo está estático
      eu não afundo
      eu só bóio
      e o sol está indo embora
      e o pianista não sabe mais que música tocar

      Eu sei que meu pai
      está lá
      numa cadeira de praia listrada azul
      Com seus óculos de sol
      e os cabelos grisalhos bem penteados,
      pelo pente brega que ele guarda no bolso
      Eu queria pai
      que você me avistasse no mar
      me colocasse no colo
      e me perguntasse:
      - Que foi,pequena?
      Eu diria:
      - Nada pai, nada.
      e você diria como sempre:
      - Isso passa, pequena!
      Gostaria de poder te dizer
      que eu não fui machucada de novo por outro garoto
      que eu não me questiono se sou eu o defeito de tudo
      que eu sinto saudades apertadas durante o dia
      que eu sinto saudade da paisagem que eu nunca vi daquele quarto dele escuro
      do gato mesclado
      que eu não sinto falta do xampu Frutics que cheiravam seus cabelos
      nem do ar envergonhado que ele tinha ao encher de beijos sua face
      nem da camiseta branca que combinava tão bem com aquele corpo
      nem das coisas engraçadas, que ele fazia meu estômago ter cócegas
      nem do vermelho de suas bochechas, elas ficavam assim e eu nunca perguntei o por que

      é pai
      eu sinto um vazio
      como uma concha que perdeu o molusco

      E se eu te disser papai
      que há um garoto
      na beira do mar
      com os pés fincados na areia molhada.
      Sendo iluminado ,apenas pela luz da lua
      e eu não sei pai, quem ele é
      sei que ele é um presente da lua
      e ele está lá me olhando
      e ele quer muito pai
      vir me buscar
      só que ele tem os pés fincados demais na areia molhada.
      E as mão fechadas demais de medo
      e ele olha
      e contorce os lábios
      e ele carrega uma correntinha de mãe no pescoço
      e ele não que crescer papai
      pelo menos não ao meu lado.
      Ele quer ficar só observando
      e esperando que eu fique bem

      Só desejando junto à lua
      que eu fique bem

      E dentro dele pai
      mora uma festa de mentira (eu acho)
      e ele se enche de risos de garotas sereias
      elas beijam seus lábios, pai
      e seu sexo fica duro
      mas ele não amolece o coração
      Eu sinto que uma água salgada ,como as que saem dos meus olhos
      saem dos olhos dele também.
      Quando ele decidi
      rep

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