7th Jun 2010

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    1. Contexto histórico dos 3 momentos do personagem.

      A) D.Juan, personagem do dramaturgo “Renascentista espanhol”, frei Gabriel Tellez, usava o pseudônimo de “TIRSO DE MOLINA”; está contextualizado ao século XVII, quando a obra foi produzida. Época da História Social Européia, marcada pela ascensão dos Estados Modernos, a Reforma Protestante, a Contra-Reforma; garantida pelo Concílio de Trento e dominada pela ideologia “Absolutista dos Monarcas Aristocratas dos Estados Centralizados”, que substitui ao poder descentralizado feudalista. A obra de Molina não é parte do Estilo Estético Literário do Romantismo. D.Juan, escrito pelo frei Diego, contém o espírito romântico, um estado da alma, uma conduta relativista, não uma estética. Vive a sensualidade da Renascença italiana. Almas românticas, marcadas por oposições: Libertinagem / Teologia, Prazer / Dor, Vida / Morte...”... el goce sin medida...” “... Quen tal face, tal pague”.
      B) D.Juan, personagem do escritor do romantismo espanhol, José Zorrilla, em 1848, traz os símbolos marcantes dessa estética literária, marcada, pelos: “Movimentos Populares”, “Libertação”, “Imagem sentimental do “Amor Mistério e da Mulher “, a “Subjetividade”, o “Cristianismo”, sob a égide ideológica Histórico - Social da burguesia, uma nova classe no poder, dos sentimentos nacionais, da criação artística, que busca seus heróis, um momento da História, que cristão, terá um Deus que perdoa, amenizador, apaziguador, clemente.
      D.Juan: “¡Dios clemente!...”
      Dona Inês: “... que el amor salvo a Don Juan”.
      C) D.Juan, personagem de Coppola (De Marco, D.Juan), New York, século XX, 1995. Era da globalização, violência, traições, capitalismo selvagem, miséria, injustiças sociais e morais. Instituições totais, amor banal, efêmero, transitório, trabalho e desemprego. Século em que as guerras mataram milhões de humanos. Desprovido de qualquer espírito romântico, caracterizado pela banalização do “Amor”, dominado por uma estética conceitualista e uma literatura urbana “concreta”. Uma religiosidade conflitante entre o ateísmo, e os diversos credos e seitas. O ator John Deep, travestido de D.Juan, vive um surto romântico. Internado numa instituição total psiquiátrica, após tentar o suicídio, perdeu sua amada, é internado num Hospital. Contagia com seu “espírito romântico”, o psiquiatra que faz seu tratamento, Marlon Brando. No decorrer do procedimento, o médico vai questionar-se, ao perceber suas relações pouco amorosas, com a esposa, Faye Dunaway. Essa cinematografia levará a retroação de D.Juan, a uma prospecção da leitura fílmico, onde o “último romântico”, vem resgatar no mundo moderno, o espírito da alma romântica, perdido mo meio de tantas diversidades (adversidades) estilizado na ficção de um personagem surtado. “A cena final da praia, define o conteúdo mágico da narrativa, enquanto o médico e a esposa dançam apaixonados, sob o som da trilha sonora, que ganhou o “Oscar”, de melhor música, D.Juan de Marco parte( solitário ) com sua amada reconquistada( o onírico romantismo resgatado, encontrado).
      As diferenças de D.Juan, nos diferentes séculos.

      Mais uma vez a intertextualidade das três narrativas, conduz diferentes abordagens do personagem D.Juan.
      Obedecendo a um processo “diacrônico”, teremos no personagem de Molina, o espírito da renascença, a alma romântica, uma abrangência do imaginário, uma conduta relativista, fruto da conjuntura dos conflitos religiosos e políticos, o Renascimento se limita, encontra barreiras. Difere-se do estilo estético literário (Romantismo). O personagem vive as oposições da sensualidade e do castigo. A dicotomia entre o prazer e o pecado, morre na trama, condenado pelo sobrenatural divino, mitológico” ( a estátua e suas mãos ), por ter burlado os limites, da ética, que domina o contexto Renascentista, do século XVII.
      Quanto ao D.Juan Tenório, de Zorrelli, personagem o do Romantismo Europeu, do século XVIII(a segunda metade) e XIX, suas características estilísticas na “Arte e Literatura”. Que vão diferenciar essa obra, com conceitos onde predominam o sentimento e o criador ou imaginativo, uma liberdade de criação, uma ruptura con razão e o racionalismo. Os novos ares burgueses e os movimentos populares e o sentimento nacional, ainda sob a égide cristã, mas agora seu Deus, ameniza, apazigua, modera, D.Juan Tenório é perdoado pelo divino, salvo pelo amor, para ficar ao lado de Dona Ines.
      Em Coppola, seu D.Juan de Marco, vive um personagem, do século XX, na tentativa de resgatar a “alma romântica”, perdida nos conflitos de um período tão complexo, sua “loucura” contagiará o ambiente em que o filme transita, consegue, ao final seu intento, ao reencontrar o elo do espírito romântico, nos braços do casal, médico/ esposa, um casamento perdido, reconquistado pelo inebriante contágio do amor .
      Portanto vemos que o eixo da intertextualidade será o amor e as suas diferentes abordagens, nos diferentes contextos que transitam os personagens de D.Juan.
      (cont.)

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